Gibson Da Costa – Economista filiado ao CORECON-AM
A inflação é definida pela ciência econômica como um aumento contínuo, persistente e generalizado do nível geral de preços de bens e serviços em uma determinada economia ao longo do tempo (VICECONTI; NEVES, 2011, p. 333).
Esse fenômeno não deve ser confundido com a elevação pontual ou temporária no valor de um produto específico, a qual expressa apenas reajustes nos preços relativos decorrentes de oscilações normais de oferta e demanda em mercados isolados (GUIMARÃES; GONÇALVES, 2010, p. 210). Como resultado direto da inflação generalizada, ocorre a diminuição do poder de compra da moeda nacional, reduzindo a quantidade de bens e serviços que a população consegue adquirir com a mesma soma monetária (FRANK, 2013 apud BRASIL, 2021, p. 19).
Principais Tipos e Causas da Inflação
A literatura macroeconômica categoriza os processos inflacionários a partir de suas forças geradoras fundamentais:
Inflação de Demanda → Ocorre quando a demanda agregada por bens e serviços ultrapassa a capacidade física ou técnica de produção de uma economia (VICECONTI; NEVES, 2011, p. 336). Essa pressão costuma decorrer do crescimento excessivo da oferta de moeda na circulação ou da expansão desmedida dos gastos públicos e do crédito (BRUE; GRANT, 2013, p. 550).
Inflação de Custos ou de Oferta → Resulta da retração da oferta agregada, provocada por aumentos autônomos nos custos dos fatores de produção (VICECONTI; NEVES, 2011, p. 337). Entre as causas recorrentes estão os choques de preços em insumos estratégicos como o petróleo, desvalorizações cambiais que encarecem componentes importados e elevações salariais acima dos ganhos de produtividade (GUIMARÃES; GONÇALVES, 2010, p. 250).
Inflação Estrutural → Deriva de rigidezes e gargalos nas cadeias de suprimento e na infraestrutura dos setores produtivos, os quais impedem que o fornecimento de mercadorias acompanhe o ritmo de expansão do mercado doméstico (BRESSER-PEREIRA, 2010 apud BRASIL, 2021, p. 36).
Inflação Inercial → Manifesta-se quando as taxas de inflação registradas no passado são automaticamente retransmitidas para o futuro por meio da indexação de contratos de trabalho, aluguéis e serviços, gerando uma resistência mecânica à queda dos preços (RACY, 2005 apud BRASIL, 2021, p. 53).
Impactos Econômicos e Sociais
Os surtos inflacionários causam distorções relevantes sobre o funcionamento do mercado e a distribuição de renda:
Erosão Salarial e Desigualdade Social → A inflação afeta desproporcionalmente as famílias de menor renda e os trabalhadores assalariados, cujos ganhos nominais não acompanham a velocidade do aumento do custo de vida (VICECONTI; NEVES, 2011, p. 334).
Distorção dos Sinais de Mercado → A instabilidade generalizada de preços prejudica o cálculo econômico, distorce as decisões de investimento produtivo das empresas e encarece as operações de crédito de longo prazo (GUIMARÃES; GONÇALVES, 2010, p. 214).
Imposto Inflacionário → Representa a perda involuntária de poder aquisitivo sofrida pelos indivíduos que mantêm papel-moeda em caixa, atuando na prática como uma transferência implícita de recursos para a autoridade emissora da moeda (SIMONSEN; CYSNE, 1995 apud VICECONTI; NEVES, 2011, p. 340).
Glossário Técnico
Poder de Compra: Quantidade real de bens e serviços que se pode adquirir com uma determinada unidade monetária.
Demanda Agregada: Totalidade dos gastos em bens e serviços finais efetuados pelos consumidores, empresas e governo em um país.
Oferta Agregada: Volume total de bens e serviços colocados à disposição no mercado pelos setores produtivos nacionais.
Indexação: Mecanismo jurídico ou contratual que ajusta automaticamente o valor de salários, aluguéis e títulos financeiros com base na variação prévia de um índice oficial de inflação.
Referências
BRASIL. Ministério da Educação. Fundamentos da teoria econômica. Brasília, DF: MEC, 2021.
BRUE, Stanley L.; GRANT, Randy R. História do pensamento econômico. 8. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2013.
GUIMARÃES, Bernardo; GONÇALVES, Carlos Eduardo. Introdução à Economia. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.
VICECONTI, Paulo; NEVES, Silvério das. Introdução à Economia. 11. ed. São Paulo: Frase Editora, 2011.