Geomorfologia Planetária

Gibson Da Costa – Geógrafo filiado ao CREA-RR

A Geomorfologia Planetária é o campo científico dedicado ao estudo das formas de relevo em planetas e satélites naturais (luas) de crosta sólida, como Vênus, Marte e algumas luas de Júpiter e Saturno, estendendo-se também a asteroides e outros corpos celestes sólidos. Ela também abrange a análise e a comparação da superfície terrestre em escala planetária, uma abordagem denominada Geomorfologia Global.

Processos Formadores e Dinâmica das Superfícies

De acordo com Greeley (2013), o relevo dos corpos celestes sólidos do Sistema Solar é moldado e modificado por quatro processos físicos fundamentais:

  1. Tectonismo: movimentos, falhas e deformações de partes da crosta e do manto superior de um corpo celeste.

  2. Vulcanismo: a erupção e a solidificação de materiais magmáticos provenientes do interior do planeta.

  3. Craterização por Impacto: colisões de corpos extraterrestres (como meteoritos e asteroides) geram crateras de impacto e alteram drasticamente a superfície, um processo comum a corpos sem atmosfera protetora e que moldou as crostas primitivas no início da história do Sistema Solar.

  4. Gradação: processos externos de desgaste, transporte e deposição de materiais, incluindo o intemperismo físico e químico (como o space weathering decorrente da radiação solar e de raios cósmicos em corpos sem atmosfera), além de atividade eólica (vento), fluvial (líquidos), glacial e movimentos de massa induzidos pela gravidade.

A atuação e a eficácia desses processos externos em outros corpos celestes, de acordo com Huggett (2011), dependem de condições ambientais específicas de cada corpo, como a distância média em relação ao Sol (que dita a recepção de energia solar), o período de rotação e a presença ou natureza de uma atmosfera planetária.

Evolução Metodológica e Abordagem

Anteriormente situada no campo da Astronomia, a investigação de superfícies planetárias migrou significativamente para a Geologia com o advento da Era Espacial na década de 1960. Atualmente, de acordo com Greeley (2013), a Geomorfologia Planetária é altamente orientada a processos, buscando compreender como as formas de relevo se desenvolvem sob diferentes gravidades, pressões e temperaturas, mantendo a aplicação de princípios geológicos fundamentais observados na Terra.

Para isso, os pesquisadores apoiam-se na interpretação de dados obtidos por sensoriamento remoto (principalmente imagens fotográficas de alta resolução capturadas por sondas e orbitadores), medições in situ por pousadores e rovers, dados geofísicos e modelos de computador. Historicamente, a disciplina foi impulsionada pelo estudo clássico de Grove Karl Gilbert, de 1893, sobre a superfície da Lua, que utilizou experimentos físicos com esferas de argila e metal projetadas contra alvos para demonstrar a origem por impacto das crateras lunares, integrando inferência científica e observação telescópica.

Fontes

BAKER, V. R. Extraterrestrial geomorphology: science and philosophy of Earthlike planetary landscapes. Geomorphology, v. 7, p. 9-35, 1993.

GREELEY, Ronald. Introduction to Planetary Geomorphology. Cambridge: Cambridge University Press, 2013.

GREELEY, Ronald; IVERSEN, J. D. Wind as a Geological Process on Earth, Mars, Venus and Titan. Cambridge: Cambridge University Press, 1985.

HOWARD, A. D. Drainage analysis in geologic interpretation. AAPG Bulletin, v. 51, n. 11, p. 2246-2259, 1967.

HUGGETT, Richard John. Fundamentals of Geomorphology. 3.ed. Abingdon, Inglaterra: Routledge, 2011.

MELOSH, H. J. Impact Cratering: A Geologic Process. Nova York: Oxford University Press, 1989.

PELVAST, J.-P. et al. Les planètes et leur environnement. Paris: Editora Hachette, 1996 [imagem p. 44].

SUMMERFIELD, M. A. Global Geomorphology: An Introduction to the Study of Landforms. Harlow: Longman, 1991.

Gibson Da Costa