Gibson da Costa – Economista filiado ao CORECON-AM
O conceito de crescimento antieconômico, de acordo com Herman E. Daly, é um dos pilares fundamentais da Economia Ecológica e se refere ao crescimento da escala física da economia (fluxo de matéria e energia) que aumenta os custos sociais e ambientais mais do que os benefícios da produção (DALY, 2007, p. 10). Diferentemente da economia convencional, que assume que o crescimento do PIB é sempre desejável, a economia ecológica reconhece que, em um planeta finito, a expansão do subsistema econômico acaba por sacrificar serviços ecossistêmicos e capital natural que valem mais do que os bens manufaturados adicionados (DALY, 2007, p. 12).
Os principais aspectos para entender esse conceito são:
1. A Lógica da Escala Ótima
Na microeconomia, existe a regra do “momento de parar”, para a qual uma atividade deve ser expandida apenas até o ponto em que o custo marginal se iguala ao benefício marginal (DALY, 2007, p. 13). A Economia Ecológica aplica essa mesma lógica à macroeconomia, argumentando que o sistema econômico é um subsistema aberto de um ecossistema global que é finito e não cresce (DALY, 2007, p. 9). Quando a economia ultrapassa sua escala ótima em relação ao ecossistema, o crescimento físico torna-se antieconômico, pois passa a gerar mais “males” (poluição, degradação, estresse) do que “bens” (DALY, 2007, p. 12).
2. Utilidade Marginal vs. Desutilidade Marginal
O crescimento torna-se antieconômico devido ao cruzamento de duas tendências:
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Utilidade Marginal Decrescente: À medida que a produção e o consumo aumentam, as necessidades mais urgentes são satisfeitas primeiro, e cada unidade adicional de consumo traz uma satisfação cada vez menor (DALY, 2007, p. 17).
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Desutilidade Marginal Crescente: Para expandir a economia, é necessário sacrificar serviços da natureza cada vez mais vitais e assumir sacrifícios maiores em termos de trabalho, poluição e perda de lazer (DALY, 2007, p. 17). O ponto onde essas duas curvas se encontram representa o limite econômico do crescimento; além dele, a sociedade torna-se mais pobre em termos de bem-estar real, embora o PIB possa continuar subindo (DALEY, FARLEY, 2011, p. 21).
3. Evidências Empíricas: O Divórcio entre PIB e Bem-Estar
Indicadores como o ISEW (Index of Sustainable Economic Welfare) e o GPI (Genuine Progress Indicator) são usados para demonstrar esse fenômeno. Estudos realizados em países como Estados Unidos, Reino Unido e Áustria sugerem que a correlação positiva entre o PIB per capita e o bem-estar desapareceu por volta da década de 1970 ou 1980. Desde então, embora a atividade econômica tenha crescido, os custos ambientais e sociais (como a poluição de longo prazo e a desigualdade) aumentaram mais rapidamente, indicando que essas nações entraram em uma fase de crescimento antieconômico (DALY, 2007, p. 30-31).
4. Produção de “Illth” (Mal-estar)
O crescimento antieconômico é frequentemente descrito como a produção de “illth” (um termo cunhado por John Ruskin para designar o oposto de wealth ou riqueza) (DALY, 2007, p. 86). O illth acumula-se na forma de poluição, esgotamento de recursos e degradação da resiliência dos ecossistemas (DALY, 2007, p. 39). Como a contabilidade nacional tradicional (PIB) soma os gastos feitos para remediar esses danos (gastos defensivos) em vez de subtraí-los, ela mascara a transição para o crescimento antieconômico, tratando custos como se fossem benefícios (DALY, 2007, p. 39).
5. Transição para o Desenvolvimento sem Crescimento
Para evitar a catástrofe ecológica, a economia ecológica defende a mudança do foco do crescimento (aumento quantitativo do fluxo de matéria) para o desenvolvimento (melhoria qualitativa do bem-estar e da eficiência dentro de limites biofísicos). Isso levaria a uma Economia de Estado Estacionário (Steady-State Economy), onde o uso de recursos é mantido dentro das capacidades de regeneração e absorção da biosfera (DALY, 2007, p. 27).
Referências
DALY, Herman E. Ecological Economics and Sustainable Development: Selected Essays of Herman E. Daly. Northampton, EUA: Edward Elgar Publishing, 2007.
DALEY, Herman E.; FARLEY, Joshua. Ecological Economics: Principles and Applications. 2.ed. Washington, EUA: Island Press, 2011.