Gibson Da Costa – Economista (CORECON-AM), Geógrafo (CREA-RR)
A Economia Política é o campo do conhecimento dedicado ao estudo da produção, circulação, distribuição e consumo de bens e serviços inseridos em seu contexto social, histórico e político. O termo era a denominação original da ciência econômica desde o final do século XVII e ao longo dos séculos XVIII e XIX, empregada por pensadores como William Petty, Richard Cantillon, Adam Smith, David Ricardo, John Stuart Mill e Karl Marx.
No final do século XIX, com a emergência da tradição neoclássica (Jevons, Menger, Walras e Marshall), a disciplina passou a ser chamada simplesmente de Economia. Essa alteração buscou afastar a disciplina dos julgamentos de valor, da ética e do debate político, tentando transformá-la em uma “ciência neutra” e formalizada matematicamente.
Diferente da economia neoclássica convencional – que aborda o mercado como um sistema puro e abstrato de escolhas individuais baseadas na escassez –, a Economia Política reconhece que a atividade econômica é indissociável das relações de poder, do Estado, das instituições e das estruturas de classe.
Principais Perspectivas Teóricas
Ao longo do desenvolvimento do pensamento econômico, a Economia Política consolidou diferentes correntes teóricas:
1. Economia Política Clássica
Representantes: Adam Smith, David Ricardo e John Stuart Mill.
Foco e Método: Smith definiu a Economia Política como o ramo da ciência dos estadistas e legisladores com o objetivo duplo de prover uma subsistência abundante ao povo e fornecer receitas ao Estado para os serviços públicos. A abordagem clássica investiga as causas da riqueza das nações, a acumulação de capital e a divisão do rendimento social entre as três grandes classes da sociedade industrial nascente: trabalhadores (salários), capitalistas (lucros) e proprietários de terras (aluguéis/rendas).
2. Crítica da Economia Política (Perspectiva Marxiana)
Representantes: Karl Marx e a tradição marxista.
Foco e Método: Adota a classe social e as relações de produção como seu ponto de partida. Analisa o capitalismo não como um sistema natural de trocas harmoniosas, mas como um modo de produção histórico baseado na exploração do trabalho (extração do mais-valia), na transformação da força de trabalho em mercadoria e no circuito de valorização contínua do capital. Para Marx, a economia é a base material da sociedade que condiciona as superestruturas políticas e jurídicas.
3. Economia Política Institucional e Neoinstitucional
Representantes: Thorstein Veblen, John R. Commons (Institucionalismo Clássico); Douglass North, Oliver Williamson, Bruce Scott, James Buchanan (Nova Economia Institucional e Escolha Pública).
Foco e Método: Rejeita a ideia de que os mercados funcionem no vácuo de forma espontânea. O institucionalismo clássico vê a economia como um sistema dinâmico moldado por hábitos, costumes e regras jurídicas. O neoinstitucionalismo e a Escolha Pública aplicam a lógica econômica ao estudo do comportamento político e das instituições, investigando como os direitos de propriedade, os custos de transação e a autoridade política influenciam o desempenho econômico. Por exemplo, Bruce Scott define o capitalismo como um sistema de governança em três níveis (mercados, instituições e a autoridade política como “mão visível”).
4. Economia Política Heterodoxa, Regulacionista e Polanyiana
Representantes: Karl Polanyi, John Maynard Keynes, Escola da Regulação (Michel Aglietta, Alain Lipietz), Pós-Keynesianos e a abordagem de Variedades de Capitalismo.
Foco e Método: Polanyi concebe a economia como um processo instituído, no qual a atividade econômica está enraizada em instituições sociais, culturais e políticas, denunciando a utopia destrutiva do “mercado autorregulável” e das “mercadorias fictícias” (terra, trabalho e dinheiro). A Escola da Regulação e os Pós-Keynesianos estudam como diferentes regimes de acumulação, formas de regulação estatal e modelos de demanda sustentam a estabilidade macroeconômica e geram diferentes variedades de capitalismo em escala nacional e global.
Fontes Bibliográficas
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POLANYI, Karl. A grande transformação: as origens da nossa época. 6. ed. Rio de Janeiro: Campus, 2000.
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